A descoberta do pão é quase contemporânea à da cerveja – o fenômeno da fermentação presente em ambos foi descoberto há mais de 10 mil anos e desde então quase todos os processos de fabricação de alimentos e bebida envolvem algum tipo de fermentação. Segundo alguns historiadores, a presença de equivalentes da cerveja já era percebida em vários povos diferentes, dando origem a vários tipos da bebida.
Por mais estranho que possa parecer para os dias de hoje, a bebida era produzida por padeiros – isso porque os ingredientes utilizados para o pão eram os mesmos da cerveja: cereais em grão e leveduras. Depois de feitos os blocos de pão, colocavam-nos em jarras cheias d’água para que fermentassem. Entretanto, os primeiros registros de fabricação de cerveja são dos sumérios e já somam mais de 6 mil anos.
Dizem que a primeira cerveja foi feita por acidente. Porém, acidente ou não, a mistura de cevada, lúpulo e levedura faz muito sucesso no mundo moderno. Hoje, os tipos de cerveja são tantos que mal se pode dizê-los de uma vez só, mas alguns deles já encontraram suas primeiras receitas no intervalo de 4 mil a 5 mil A.C. Egípcios, sumérios, alemães, italianos, franceses, ingleses, belgas e tantos outros já produziam suas bebidas e as chamavam de nomes diferentes, mas as receitas e o sabor de uma boa cerveja são comuns a todos os povos. Sagrada ou profana, a cerveja está presente em vários momentos da vida.

Tipos de cerveja
Cada região tem sua bebida específica. Lugares quentes pedem cervejas mais leves e que podem ser consumidas em temperaturas mais baixas – como acontece com as cervejas do tipo Pilsen, as mais consumidas no mundo. Ao passo que os países mais frios pedem bebidas que possam ser consumidas em temperatura ambiente, como acontece com as cervejas mais escuras e maltadas produzidas em países da Europa – as Ales. Além dessas duas grandes famílias, ainda existe uma terceira ainda pouco conhecida pelo público consumidor: as Lambics.
Ao contrário das cervejas de alta e baixa fermentação, as lambics fermentam ao ar livre, de modo que haja interação entre o ar e o líquido. Como os tipos de cerveja conseguem ser tão variados e as receitas tão peculiares que para certificar-se de que a cerveja que foi feita é realmente uma Indian Pale Ale, por exemplo, é mais seguro consultar o Beer Judge Certification Program (BJCP) para conhecer as especificações de cada tipo.
O presidente da Associação de Cervejeiros Artesanais Paranaenses (ACERVA-PR), Alessandro Santos de Oliveira, apresenta as três grandes famílias de cervejas produzidas atualmente.
Entenda o processo de fabricação
Fazer cerveja não é tão difícil, porém é algo que leva algum tempo. A primeira fase – cozimento dos cereais – leva cerca de quarenta minutos e varia bastante de acordo com o resultado final que se deseja chegar. A extração de açucares, por exemplo, depende muito do tempo e da temperatura à qual os grãos são expostos. Essa mistura de água e cereais é chamada de mosto primário. Logo depois de concluir a etapa de cozimento mosto primário é necessário separar a parte líquida do bagaço dos grãos.
Depois dessa filtragem, o mosto passa por uma segunda fervura e é nesse momento em que o lúpulo – ingrediente responsável pelo amargor da cerveja – é adicionado. A partir desse ponto é necessário resfriar este mosto e logo em seguida iniciar o processo de fermentação. Neste quarto passo é importante controlar a temperatura de fermentação. Dias depois de iniciado o processo de fermentação, é preciso seguir para a próxima etapa: a maturação. O presidente da ACERVA-PR explica como esse processo acontece.
Ingredientes: os melhores para a melhor cerveja
Produzir uma boa cerveja exige bons ingredientes. Entretanto uma das maiores diferenças entre as cervejas artesanais e as produzidas em grande escala nas indústrias está na opção feita para atender ao público. As grandes cervejarias, por razões bastante claras, precisam manter a produção e o ritmo de venda – logo, a produção em série exige a redução de custos. Assim, é preciso encontrar alternativas aos ingredientes “genuínos” da fabricação da cerveja.
Já os cervejeiros artesanais, home-brewers ou craft-brewers, como são chamados os fabricantes de cerveja caseira ou em micro-cervejarias, preferem desembolsar um pouco mais de dinheiro para obter bons ingredientes para que o seu produto tenha uma excelente qualidade. O principal objetivo dessas pessoas é fazer com que quem beba dessa cerveja pense “Nossa! Como ficou boa!”, assim como acontece com um bom almoço ou jantar.
Excelente! Melhor q isso, só uma boa cerveja (trapista, de preferência, pq eu fiquei viciado nisso) e boa companhia.
Não sei como tem gente que fala mal da cerveja… deveria respeitar ao menos o contexto histórico! rsrs
Eu bebo sim e to vivendo!
Excelente matéria sobre a béra nossa de cada dia. Pena que a cultura brasileira seja beber até cair e, por isso, as cervejas populares são tão ruinzinhas, perto das verdadeiras béras.
Parabéns Paliteiro. Vou lê-los sempre.
Uhn… vontade de uma cervejinha ao ver isso aqui!
Gosto de todos os tipos, principalmente pelo meu poder aquisitivo, minha preferência acaba sendo a Skol, hahaha!
Bem, acho que o melhor da cerveja é a socialização, vamos tomar uma?
Parabéns pelo Paliteiro, lindo!
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Inacreditável pensar que a cerveja é tão antiga. E quanto a ter sido acidente, quantas coisas não foram inventadas dessa forma, não é? A entrevista ficou muito boa, by the way!





Opa, bacana a reportagem. Vai ter mais falando de cerveja? Parabéns.