Música quarta-feira, 30-09-2009 às 09:57

Créditos: Wikimedia Commons

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É quase impossível desassociar um estilo musical em ascensão com o profano, o impuro. Isso vem acontecendo desde o surgimento dos primeiros ritmos e vai acontecer com cada um dos novos que forem surgindo. É quase como uma revolução, uma forma nova de ver a música e de expressar-se através dela. E como toda boa revolução, sempre irão existir os reacionários. Não foi diferente com o jazz. O estilo musical que hoje ocupa grandes salões e é tão incomum entre os jovens já esteve classificado como vulgar e “inadequado” para quem tem uma reputação a zelar.

O jazz nasceu próximo ao blues e ao gospel, quando os ritmos afro-amerericanos estavam em ascensão. No entanto, a condenação deste ritmo esteve presente na sua sonoridade, que muitos puritanos da época comparavam aos bordéis e as moças de reputação duvidosa. O próprio termo “jazz” foi usado como uma espécie de gíria para se referir a “sexo”. Alguns músicos dizem que até meados de 1920 os jornais norte-americanos não usavam a palavra em texto algum.

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Algumas outras fontes associam a palavra jazz a alegria, força, vitalidade. Os primeiros 20 anos de jazz foram contemporâneas à lei seca dos Estados Unidos e a era de ouro da máfia. Al Capone e seus gângsteres contribuíram muito para a expansão e popularização do estilo musical pelo país. Assim o jazz fica conhecido como a trilha sonora dos gângsteres.

Entretanto, toda a musicalidade e variações de timbre de grandes intérpretes como Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Billie Hollyday, Quincy Jones e Louis Armstrong fizeram do jazz um estilo nobre e digno de intelectuais. Muitos dos norte-americanos mais influentes da década de 1960 e 1970 eram grandes fãs do ritmo criado no início do século. Outro aspecto bastante notável do jazz é a incrível afinidade com os tempos Modernos. Toda a aceleração do período das fábricas, automóveis, plástico e cabelos laqueados.

Toda essa elevação do status do jazz tem muito a ver com a chegada de uma divisão do estilo na década de 1930 chamado swing. Este tipo de jazz é muito mais dançante e alegre, o que agrada os gostos populares. A vitalidade do swing ganhou bastante espaço com o público devido à I Guerra Mundial, que levou muitos soldados à morte e as famílias à apreensão.

Crédito: Wikimedia Commons

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Com o final da guerra em 1945 o jazz conhece uma nova divisão, o bebop eu não agrada tanto as camadas mais populares. Um pouco mais tarde, surge o hard bop, estilo bastante conservador. Em resposta a essas duas divisões nasce, então, o cool jazz – a versão intelectualizada. Durante os anos 1950 e 1960 a fusão do free jazz com o recém-nascido rock faz com que surja novas tendências.

Hoje o jazz é representado por nomes como Diana Krall, Jamie Cullum e tantos outros. Entretanto, clássicos são sempre clássicos. Com o passar dos anos, os direitos de distribuição de algumas músicas do princípio do jazz já perderam a validade e estas obras primas podem ser distribuídas online. Ouça abaixo algumas dessas músicas:

Ouça a lista aqui!

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4 Comentários em “Música: dos bordéis aos grandes concertos – Jazz”
Giordano Cimadon @ 30-09-2009 - 10:23

Muito boa a listagem dos clássicos! Parabéns!


Willian Araújo @ 30-09-2009 - 10:30

O jazz, assim como o Blues, tem uma história muito cativante. Ambos estilos surgiram da massa pobre e excluída que acabou criando o seu próprio estilo e que hoje em dia são tocados nas maiores casas de show do mundo…Isso realmente é muito bom!

Muito bom o post! E o blog está cada vez melhor!

Hasta luego!

Willian Araújo
http://www.opiniaoposta.blogspot.com


Fernanda @ 02-10-2009 - 13:16

Adoro Jazz! Valeu pela coleção!
Bj


Eduardo @ 11-10-2009 - 12:52

Realmente, até hoje é possível fazer essa ligação de Jazz com os gângsters. Em filmes, por exemplo, não é difícil ver o estilo musical dando o fundo para esses personagens. Adorei a lista. :)