Falar sobre o jazz e não deter-se um pouco mais no ponto “Ella Fitzgerald”, é ignorar um dos maiores e melhores capítulos desta história. Nascida quando o estilo dava seus primeiros passos, em 1917, Ella Jane Fitzgerald colecionou 13 Grammys e vendeu mais de 40 milhões de discos durante sua carreira. Dona de uma voz surpreendente ainda por descobrir, a garota de Newport News se inscreve em um show de calouros. Aos 17 anos, Ella sobe ao palco pela primeira vez e considerava a hipótese de fazer uma apresentação de dança.
Mas a idéia vai por água abaixo depois de assistir ao número das Edwards Sisters – elas dançavam muito. Ao chegar sua vez, Ella hesita, mas interpreta uma canção de Hoagy Carmichael chamada “Judy”. Não houve um erro sequer nesta apresentação. “Judy” era uma das músicas favoritas de sua mãe, Temperance, ou apenas “Tempie” que falecera dois anos antes vítima de um acidente de carro.
Logo que Ella termina de cantar, a platéia pede mais e mais. Em uma declaração publicada pelo site oficial da cantora, Ella diz que estando “uma vez lá, pude sentir a aceitação e o amor do meu público. Eu soube que queria cantar para as pessoas pelo resto da minha vida”. E assim foi feito. Durante uma carreira na qual Ella gravou mais de 200 álbuns, as parcerias mais marcantes foram com Louis Armstrong, trompetista nascido em Nova Orleans, considerado como a “personificação do jazz”.
Juntos, os dois gravaram três grandes clássicos do jazz Ella and Louis, Ella and Louis Again e Porgy and Bess. Entretanto, não foi nada fácil para Ella chegar onde chegou. Apesar de cantar incrivelmente bem, muitos dos obstáculos na carreira foram causados pela sua aparência. Logo no seu primeiro teste no Apollo Theater em Nova York, o gerente não aceitou conceder o prêmio prometido a quem ganhasse aquele show de calouros por achar que Ella era muito feia.
Essa situação se repetiu algumas vezes durante a vida artística de Ella Fitzgerald. Até mesmo quando Chick Webb a ouviu cantar e decidiu levá-la para uma audiência com o líder da sua banda aconteceu este mesmo problema. Ella só pode cantar porque Webb insistiu que o outro ouvisse. Mesmo que pudessem ofendê-la, era no palco que ela mostrava seu talento e lá deixava bem claro que as questões de aparência se limitam a estar em silêncio. Tanto que aos 19 anos Ella já era conhecida como “A primeira dama do jazz”.
Porém, em 1986 o estado de saúde da primeira dama da canção fica grave e Ella precisa fazer uma complicada cirurgia coronária quíntupla. O diagnóstico do médico também incluiu o diabetes como causa da sua perda de visão gradativa. Apesar dos rumores negativos, Ella voltou a cantar e no ano seguinte recebe a National Medal of Arts do presidente Ronald Regan. E algum tempo depois universidades renomadas como Yale e Dartmouth a presenteiam com o título de doutorado honorário.
Em 1991 Ella faz sua última apresentação em Nova York no Canergie Hall – foi a sua 26ª apresentação no lugar. Cinco anos depois do encerramento da sua carreira, Ella Fitzgerald vem a falecer. Pouco tempo depois da notícia se espalhar, sinais de que o mundo já não seria o mesmo começam a aparecer pelo mundo. O lado de fora do Hollywood Bowl Theater foi tomado por uma faixa que dizia “Ella we will miss you” (Ella, sentiremos sua falta). E até hoje se sente a falta de Ella Fitzgerald.
Ainda ouço direto Cheek to Cheek. Legal você ter colocado ali. ![]()
E é impressionante: Ella tem mais de 200 álbuns? Caramba. O.o






Ella é incrível… com Louis então… Recomendo: http://bit.ly/UzlKt =)