Milhares de grandes jornais já noticiaram: “O rock and roll é a mania entre os jovens”. No entanto, poucos deles se preocupam em entender realmente o que é o ritmo. Todos eles dizem ser música do gueto e que os jovens ficam violentos e indecentes. Mas eles sabem realmente do que estão falando? – Talvez fosse assim a reação de um fã de rock na década de 50 ou 60.
Isso porque as origens desse estilo musical estão bastante próximas ao blues e ao jazz. Os três estilos nasceram da mistura das canções dos escravos vindos da África, porém foram aderindo a diferentes influências ao longo do tempo. Enquanto o blues se manteve por vários anos em uma linha melancólica, o jazz e o rock seguiram por campos mais arriscados e talvez mais vibrantes. Muito disso se deve ao momento socioeconômico pelo qual os Estados Unidos passavam.
Pela primeira vez o país conhece um mercado diferente, voltado a outro tipo de consumidor: o adolescente. Até então este público era apenas uma espécie de “elo perdido” entre a infância e a idade adulta. Entretanto, com a descoberta deste nicho de mercado as empresas passam a desenvolver produtos próprios para os adolescentes, que a partir deste momento passam a ter poder de decisão sobre algumas coisas.
Este fator aliado à tensão gerada durante os primeiros anos da Guerra Fria e o possível ataque nuclear pela União Soviéticas, somado aos sentimentos do pós-guerra, fizeram com que a população começasse a gastar com entretenimento – o que não acontecia antes. Isso provoca uma profunda mudança nos costumes da sociedade e transforma os desejos de consumo em necessidades quase primárias.
Assim, a música, antes vista como acessório, acaba se tornando um tipo de prioridade na vida desses adolescentes que passam a consumir este novo produto das pequenas gravadoras. Até o momento as grandes produtoras de sucesso não tinham voltado os seus olhos ao movimento que vinha dos guetos, especialmente da música negra. Toda a segregação social derivada do Apartheid ajudava no preconceito tanto contra as pessoas quanto aos produtos culturais delas.
Porém, com o crescimento do público jovem branco que freqüentava as festas desse novo estilo mais rápido e frenético, as gravadoras abriram seus olhos e começaram a gerar estratégias para atrair estes cantores dos pequenos selos aos seus estúdios. A grande virada acontece no momento em que intérpretes brancos se apoderam de canções originalmente negras e sobem inúmeras posições nos rankings de audiência. Agora o rock começa a ser interpretado por “bons moços”, pelo menos assim era visto pela sociedade da época.
Adota-se como data de aniversário do rock o dia 12 de abril de 1954. Dia em que Bill Halley and The Comets gravam “Rock Around the Clock”. Entretanto, é só em 1955 que o estilo estoura nas paradas de sucesso. Grande parte dessa ascensão se deve à inclusão da música de Halley no filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência); filme que mostra a relação conturbada entre alunos e professores.
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Era o que os conservadores da época estavam esperando para tratar o rock and roll como uma invenção do demônino. Com as músicas sendo cantadas por jovens brancos a situação fica um pouco mais amena, mas as danças e requebrados sensuais no estilo Elvis Presley escandalizaram ainda mais a sociedade superconservadora dos Estados Unidos. Com a chegada da Guerra do Vietnã e o agravamento do preconceito racial no país, alguns dos cantores brancos não conseguiram se livrar do serviço militar e os negros continuavam lutando pelo seu espaço, apesar de o ritmo ter claras influências negras.
Depois da guerra, alguns dos cantores brancos, especialmente Elvis Presley, perderam a sua rebeldia e tornaram-se grandes ícones românticos e compositores de baladas. É aí que entra o rock inglês e os Beatles que evitaram a morte do rock and roll, reinventando-o com diferentes tendências e vertentes.
Quer saber mais sobre a história do rock? Semana que vêm tem mais, não perca! Enquanto isso, ouça algumas das músicas que marcaram época!





