Especial segunda-feira, 12-10-2009 às 10:00

watchmenespecial

Poucas adaptações de quadrinhos para o cinema conseguem ser tão fiéis ao roteiro original quanto Watchmen. Há quem diga que talvez fosse melhor assistir a doze episódios de uma hora, em um formato de seriado. Entretanto, o filme não deixa nada a desejar. Por isso, mesmo depois de meses do lançamento do filme e das edições comemorativas dos livros, DVDs especiais e versões extendidas, ainda é váido comentar a respeito. Com vocês, o início do Especial – Watchmen.

Podemos começar com a pergunta que o próprio filme propõe logo no início: Who watches the Watchmen?

Watchmen é um filme para quem leu, pelo menos, o primeiro livro. Os sacerdotes dos livros me perdoem, mas para leigos ou “gafanhotos”, Watchmen é riquíssimo. Toda a profundidade do roteiro dos quadrinhos foi passada com tanta veracidade para a tela que parece que é possível  encontrar a Espectral e o Coruja em qualquer esquina. O  lado “romântico” de Watchmen serve de complemento à trama politico-social que o filme ilustra. Como toda boa história de ação e aventura, existe a necessidade de um par romântico.

Quem vigia os vigilantes?Os Homens-Minuto não são meros “idiotas fantasiados batendo em sádicos” pela noite. Há toda uma discussão da necessidade do american dream, do estilo de vida norte-americano em relação ao resto do mundo e isto se encerra muito bem na figura do Comediante. O fanfarrão-canalha-mulherengo nada mais é do que um retrato do soldado fiel à pátria em um momento em que tanto o país quanto ele mesmo já não possuem mais valores éticos e morais.

É complicado traçar o que são estes princípios em Watchmen porque quando um grupo passa por uma quebra de valores tão grande quanto estes personagens passaram, qualquer medida passa a ser válida. Até mesmo crucificar e sacrificar alguns para a sobrevivência pacífica de outos. É Ozymandias seguindo a cartilha de Maquiavel.

Homens minuto. A origem de Watchmen
Mas o maior momento de glória deste filme, na minha terrível opinião, foi a sincronia mais do que perfeita da música de Bob Dylan, Times they are a changing, com a seqüência de imagens. Os tempos estão mudando. E sempre estiveram. Cada um dos destinos mostrados nesta abertura são mais do que uma amostra pura de que os tempos retratados por Gibbons e Moore são extremamente voláteis. A cena em que a Sillouette aparece beijando uma das moças na rua é um forte sinal.

Watchmen possui diversas metáforas e críticas à sociedade

Entretanto, quando ela retorna ao quadro já assassinada, esta é uma prova de que o tempo é o mesmo. Digo isto porque comportamentos abertos como este são marcantes e implicam em uma mudança de pensamento fortíssima. Podemos ver algo semelhante no comportamento do Comediante quando ele aparece no Vietnã agindo de forma tacanha e arrogante com a vietnamita que aparece grávida. Ele é liberal e chauvinista o suficiente para seduzir e engravidá-las, mas é conservador e covarde para assumir tanto o ato, quanto o filho.

Acompanhe a música de abertura do filme.

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2 Comentários em “Watchmen: uma obra prima dos quadrinhos e do cinema”
Felipe Valente @ 12-10-2009 - 15:08

Eu acredito que o maior pecado do filme é justamente a violência estilizada. Para algo baseado numa proposta tão realista, os personagens “dou um soco na parede e arrebento com ela” retratados no filme ficaram muito exagerados. Sei lá, vai ver o diretor gostou tanto do que fez em 300 que queria reutilizar a mesma estética.


Bruna @ 14-10-2009 - 08:53

Curti o filme! a trilha sonora tbm é muito boa