Sem dúvida alguma, este é um título intrigante. Lê-se “Clarice vírgula” – um tanto incomum para títulos. Porém, trata-se de uma clara menção ao estilo da autora nascida na Ucrânia em 1920, que fez do seu universo confuso – para alguns – algo tão explícito. Mais intrigante ainda é saber que o biógrafo de Clarice Lispector não vem de um país de língua portuguesa, idioma no qual a autora publicou seus livros. Benjamin Moser é um jornalista norte-americano que ainda não chegou aos 40 anos de idade e já publicou o livro do mês eleito pela Amazon.com, que foi estampado no New York Times (em duas resenhas), The Times, Economist, Los Angeles Times, e chegou a ser comparada a nomes como James Joyce, Jorge Luis Borges, Virginia Woolf e Franz Kafka.
Tantas indicações, resenhas e destaques não são comuns à literatura brasileira. Talvez seja justamente por isso a grande surpresa com o feito de Moser. Como uma escritora do bom português brasileiro pode se tornar tanto “pano para manga” lá fora? É uma questão de valorização. Nossos autores têm potencial – alguns nem tanto quanto Clarice teve, para isso teríamos de trazê-la de volta ao mundo dos que ainda sonham. O foco de Benjamin Moser foi trazer ao leitor internacional os principais e mais marcantes fatos da vida de Clarice Lispector, desde o estupro de sua mãe por soldados russos, ainda na Ucrânia; até as tentativas de casamento com o poeta e romancista mineiro, Lúcio Cardoso, que era homossexual.
Clarice, também traz diferentes pontos de vista sobre a vida da escritora. Moser se detém na origem judaica de Clarice Lispector para buscar uma espécie de origem do seu talento. O biógrafo chega a propor um paralelo entre o fato de tanto a leitura quanto o alfabeto hebraico sejam igualmente sagrados como a palavra de Deus. Por isso, a relação de Clarice com a escrita é tão diferente daquela que os brasileiros natos têm. Há algo de místico, isso é inegável. Benjamin Moser conta a diáspora de Chaya (que viria a ser a nossa Clarice) como uma nova etapa na transição do povo judeu pelo mundo. Ele também revela que a irmã mais velha da sua misteriosa biografada também escrevia. Não se assustem caso um dia se depararem com livros inéditos de Elisa Lispector.

O livro é publicado no Brasil pela editora Cosac Naify e tem 648 páginas. O preço médio está em torno de R$ 69 e pode ser encontrado tanto pela internet, como nas melhores livrarias. Se você é fã de Clarice Lispector, não poderá deixar de ler a biografia mais comentada da escritora.
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