Conversa Fiada sábado, 17-04-2010 às 20:07

Conversa Fiada

Não faz tanto tempo assim, estávamos sentados no chão em frente a uma televisão na qual nossos Super Nintendo e Playstation haviam sido conectados. Ao lado, o irmão mais novo, o mais velho ou aquele amigo de infância que sempre colocava os polegares dentro da camiseta para não fazer bolhas nos dedos.

Enquanto jogávamos, os assuntos iam longe. Podia ser sobre o último episódio de Caverna do Dragão ou a sequência de cheats para facilitar o jogo. Difícil mesmo era manter o foco. Essa era uma cena muito comum para quem cresceu na década de 1990. O fato de pouco mais de sete anos mais tarde estarmos em frente a um computador quando a internet ainda engatinhava trouxe vantagens que muita gente ainda não consegue compreender.

É engraçado ver textos e mais textos de psicólogos, administradores e todo tipo de gente se dedicando a entender como nós conseguimos assistir televisão, escrever, conversar no messenger e ainda planejar o que vamos fazer à noite – tudo ao mesmo tempo.

O tal do “generation gap” nunca foi tão sensível. Nossos pais estão longe de entender como isso é possível. Nossos chefes, quando são pelo menos vinte anos mais velhos, também não conseguem perceber. A verdade é que a tal “Geração Y” nada mais é do que as pessoas que são exatamente como você.

Quem nunca se sentiu frustrado quando o trabalho acaba não rendendo quanto antes? Não é difícil colocarmos a culpa de tudo que deu errado em nós mesmos. O fato é que o modelo com o qual trabalhamos ainda não é o deles. Ou você nunca parou para pensar como seria mais produtivo trabalhar em casa em vez de cumprir as horas da CLT?

Todas as especulações de como “eles” (inclua aí todos que não jogaram Mario enquanto debatiam o He-man) devem nos tratar são incrivelmente pasteurizadas e compactuam da “mesmice” e de muita incoerência. O grande problema é que as estruturas mudam quase junto com os meios de comunicação.

Não nos parecemos nenhum pouco com a geração de 68. Nossos ideais são diferentes. O estilo de “revolução” que eles dizem que propomos não tem nada a ver com política – até porque muita gente da minha idade não tem paciência para ouvir mais do mesmo.

Temos blogs, Twitter e o mundo à disposição. Entretanto, ainda somos menos adaptados do que nossos primos de dez anos. Mas, até lá as coisas estarão muito mais fáceis para eles. Já que nós seremos os pais e chefes – ao nosso modo, mas seremos.

Então, o que eu quero com esse texto? Nada além de dizer que não adianta você colocar sua empresa no Twitter se não sabe como conversar com quem está lá. Não adianta pedir criatividade e logo depois apresentar manuais de regras complicadas e inflexíveis.

É mais ou menos isso… #prontofalei

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